Depois de reduzir o desperdício de alimentos e mudar a gestão do restaurante Austrália Steakhouse, em Salvador (BA), o contador Pedro Grimaldi, 39, viu o lucro de sua empresa praticamente dobrar, passando da média mensal de R$ 18 mil para R$ 36 mil.

Segundo o empresário, os alimentos descartados diariamente caíram de 10 kg para a média de 1 kg a 3 kg. Uma das mudanças que contribuiu para isso foi a redução do número de guarnições prontas. Após as 13h30, quando o movimento diminui, as porções são feitas somente se solicitadas por clientes.

“O tempo de espera pelo prato aumenta um pouco, vai de 5 para 15 minutos, mas, produzindo apenas o necessário, reduzimos o desperdício em 90%.”

Grimaldi afirma que os alimentos que não são utilizados no dia vão para o lixo, pois não podem ser doados por questões de segurança alimentar. Segundo o CDC (Código de Defesa do Consumidor), fabricantes e produtores respondem por danos causados aos consumidores em casos de doações.

Outra medida adotada pelo empresário foi dar bônus para os funcionários que diminuíssem os gastos para o preparo dos pratos. Ele passou a dar uma bonificação de 10% sobre o salário de cada um, caso a equipe conseguisse atingir
as metas de redução de consumo de matérias-primas.

Grimaldi diz que o investimento para o pagamento de bônus não passa de R$ 2.000 por mês e que o resultado foi muito maior do que o gasto que a medida exige.

“Geralmente, nós, empresários, ficamos muito focados em aumentar as vendas e em comprar matéria-prima a um preço menor, e esquecemos que reduzir o desperdício para diminuir custos faz uma grande diferença”, declara.

Com as iniciativas, o faturamento médio mensal de R$ 180 mil do restaurante passou a render mais para o empresário. O lucro, que ficava entre 10% e 12% deste valor, ou seja, de R$ 18 mil a R$ 21,6 mil, passou a ser de 15% a 20%, isto é, de R$ 27 mil a R$ 36 mil.

O Austrália Steakhouse, que lembra o conhecido Outback Steakhouse, foi inaugurado em setembro de 2009 e funciona como sistema de fast-food à la carte, em que o cliente escolhe um tipo de carne e três acompanhamentos. São vinte opções de pratos, quatro tipos de salada, 27 guarnições, seis sanduíches e sete espetinhos diferentes.

O carro-chefe, segundo o empresário, é a costelinha suína de meio quilo, que custa R$ 28,90, seguida da picanha, ao preço de R$ 34,90. Ambas são acompanhadas de três guarnições a escolha do cliente.

Água, energia e matéria-prima encarecem custos de empresas Márcia Suede, gerente de inovação e tecnologia no Sebrae-BA (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas da Bahia), diz que os empresários ficam
muito focados em estratégias para gerar lucro mas esquecem, muitas vezes, que o segredo pode estar na redução dos gastos.

“Quando os custos de água, energia e matéria-prima são reduzidos, fica mais fácil atingir os resultados esperados. Por isso, é importante ter controle sobre a produção e até sobre a geração de lixo. A dica vale para empresas de todos os segmentos, não apenas em alimentação”, afirma.

Além de melhorar o desempenho financeiro do negócio, ficar atento a essas questões ajuda a empresa a melhorar sua imagem diante dos clientes, segundo Suede. “O consumidor está mais exigente e cobra uma postura sustentável das
empresas.”

Fonte: https://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2014/03/25/dono-de-restaurante-reduz-desperdicio-e-consegue-ate-dobrar-lucro-mensal.htm

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